segunda-feira, 26 de março de 2012

Sendo conduzida pela Água




Nem que eu quisesse eu conseguiria esconder a alegria que estou sentindo com os fatos que vou relatar. Por mais que saiba que essa efusividade leonina possa me atrapalhar futuramente sinto que é sadio e talvez até necessário expressar essa alegria também.Iria contra minha natureza, talvez.

O que aconteceu há meia hora atrás comigo foi um desencadeamento de um monte de outras experiências fortíssimas que vem acontecido comigo, que talvez eu relate aqui algum dia, ainda não tenho os textos prontos. Mas, em resumo, pode-se dizer que a minha conexão com a Gaia, que já era forte antes, alcançou um grau diferente, mais profundo e mais sóbrio. Não poderia dizer, no entanto, que isso se deu de maneira suave e doce. De forma alguma. Foi um processo forte, turbulento, onde por um momento tive uma sensação maravilhosa de Plenitude total para em seguida voltar ao mundo físico com todas as suas deformidades e aberrações. Parecia que nada tinha acontecido. Nenhuma sequela física ou psíquica, nenhuma sensação ou percepção nova... Porém não demorou à minha percepção das coisas ser estilhaçada. Era como bater com um martelo num espelho enorme. No começo as coisas ficaram “trincadas”, depois seus pedaços foram caindo, pouco a pouco, e ainda estão caindo, pro desespero do meu Ego e da minha mente racional, duas coisas que eu ando tratando com muito cuidado e carinho ultimamente, pra que eles consigam aguentar as pancadas que tem levado. Isso não diminui de forma alguma a minha implacabilidade com meus objetivos, mesmo que eles se machuquem no processo, a poder da cura existe pra isso, e o filme do “efeito sombra” estará sempre por perto para ser o bálsamo que preciso, rsrs...

Enfim, reparei ultimamente um desequilíbrio energético no meu ovo luminoso, reparando que alguma coisa estava fazendo eu agir de uma maneira incongruente com meu Ser mais profundo no meu cotidiano. Uma energia minha, mas que eu não conseguia controlar. E então, como o sopro de um vento me veio a resposta do que realmente estava por trás daqueles impulsos: uma sombra, é claro. Meditei sobre essa sombra e reparei , não com muita surpresa, que ela não era minha, mas sim uma energia de uma amiga com qual eu tinha jantado na noite anterior (acabei o jantar exaurida de energia, esgotada!). Engraçado como aquilo realmente agiu em mim como se fosse meu! Porém mesmo depois de recapitular todo o jantar, as conversas, os pensamentos e as projeções, sentia que aquele desequilíbrio tinha um fundamento, uma base realmente minha. Mesmo com meu contato com a Gaia tendo sido recentemente reafirmado, eu me sentia distante dela, e isso gerava uma carência estranha, que não era meramente emocional ou racional, e que ninguém parecia ser capaz de saciar.

Eis que eu estava então no topo de uma montanha, com um xamã já conhecido, que muito já havia me auxiliado em outras experiências. Ele estava na frente de uma fogueira, sentado, na minha frente. Ele apontou para leste e e disse

-Está vendo aquela constelação? A Leste? Aquela é a sua constelação, você está me ouvindo? Ela foi feita pra você!

- Como assim “feita pra mim” – dizia eu estranhando a enorme auto-importância que seria ter uma constelação só pra mim!

- Uma constelação para pessoas com energias análogas a sua, sintonizada com a sua, não importa! Não esqueça que aquela constelação é sua, está me entendendo?

- Ahmmm... Ok.

-Então repita comigo: Aquela constelação a Leste é a minha constelação.

- Aquela constelação a Leste é a minha constelação – eu repeti com seriedade.

Ele se levantou e saiu andando, como se já tivesse cumprido com a sua missão ali. Eu o segui, perguntando sobre as coisas que vinham acontecido comigo, sobre como lidar com a minha sombra, etc. Ele me respondeu:

- Isso não tem importância alguma! Um guerreiro ou guerreira não tem nem sombra nem luz. Nem bondade nem crueldade. Um guerreiro é implacável e pleno! Essa dualidade é algo implantado em nós, mas é externo a nós. Nós somos o que somos. Inteiros.
Aquilo fez um enorme sentido pra mim e senti uma paz muito grande naquele momento, porque além daquilo soar estupidamente verdadeiro pro meu Ser, era como se eu pudesse de novo, me sentir inteira, mesmo tendo que “reorganizar” as coisas por dentro e mudar de hábitos.

- E essa sensação de carência? – eu perguntei pra ele.

Então estávamos em um outro lugar, que já estivemos antes, onde, no Sonhar, tive uma experiência com a Cannabis. Olhávamos para Oeste, no mesmo lugar do outro Sonhar e então ele me olhou da mesma maneira que um dia já tinha me olhado, e me respondeu:

- Por que você vem perguntar isso pra mim? Nós dois sabemos do que quem você sente falta, não é? – e eu senti em meu coração do que ele estava falando.

Imediatamente ao sentir isso eu estava flutuando no espaço, com estrelas ao meu redor e via a Terra lá longe, tão distante de mim... Intentei me aproximar dela, falar com ela, voltar pra ela. Senti em mim ela me convidando para uma aproximação ainda mais íntima, uma fusão energética. Aceitei o convite mentalmente, mas apenas quando visualizei uma energia de amor e de intento, vi um clarão, ouvi um barulho muito alto, e me senti puxada pra ela. No instante seguinte estávamos rodando, dançando pelo Universo, juntas. Qualquer pensamento que eu tinha, fazia com que nós nos “desgrudássemos”, e voltássemos a ser duas. Apenas o Intento mais forte poderia nos agregar. Eu sabia que haviam ainda níveis ainda mais profundos de fusão com ela. Porém naquele momento, não eram deles que eu precisava, pois eles seriam contatos com partes mais profundas dela, em que ela seria mesma seria quase irreconhecível. E tudo que eu precisava era reconhecê-la. Após alguns minutos curtindo aquela inércia giratória e aquela energia de plenitude e amor, senti que deveria voltar pro corpo físico. Percebi em mim uma energia nova, que ela tinha me concedido, uma energia azul-esverdeada. Soube que eu deveria usar aquela energia para recapitular.

Voltei ao corpo físico, suavemente. E esperei a águia trazer-me as cenas para recapitular. Após umas três cenas – uma delas envolvendo um episódio muito distante da minha infância – senti que era hora de descansar. Deitei-me na cama de bruços e deixei meus pensamentos me guiarem...

Logo eu estava numa praia, e a água me chamava muita atenção. Era apenas uma daquelas imagens nítidas que aparecem antes de dormimos. Junto com essa imagem ouvia o som da voz do Tori. Conversávamos sobre aleatoridades, até que eu mencionei uma “piscina infinita”

- O que é uma piscina infinita? – ele me perguntou.

- Ah, é como se tivessemos a piscina normal, só que em vez dela ter uma beirada normal,um dos lados dela é da altura da margem da água, de forma que a água cai do outro lado, mas que parece que a piscina imenda com o horizonte quando vc olha bem baixo... Dá um efeito lindo! Eu já estive numa dessas...

Conforme eu ia descrevendo a beleza de uma “piscina infinita”, eu percebi que de repente eu estava em uma. Era uma piscina enorme de um hotel que eu visitei na minha pré-adolescência. (Era sem dúvida um dos lugares mais bonitos que eu já havia estado. Lembro-me do quanto eu amava aquela piscina e detestava o calor daquele lugar. Lembro-me do êxtase de nadar naquela piscina no por-do-Sol, e do quanto que eu queria poder estar totalmente sozinha naquele lugar pelo menos por alguns minutos, pra me deliciar com o prazer estético daquelas águas e daquele horizonte. Não é a toa que ela apareceu pra mim). Eu estava ali sozinha naquela piscina de novo e saía da piscina pra depois deixar meu corpo solto cair sobre aquelas águas repetitivamente, curtindo a água, o frescor, aquela sensação de aconchego e maciez que ela me trazia! Eu simplesmente não queria mais voltar à superfície. Era tudo lindo demais ali!  Aquele azul, aquele frescor! Mas eu me lembrava de que precisava respirar... Até que eu intentei poder respirar de baixo dágua, como em alguns sonhos eu já tinha feito. Minha mente racional demorou pra se acalmar, mas quando eu percebi, estava respirando normalmente em baixo da água. Feito isso eu me acalmei novamente e comecei a nadar pela piscina. Por um momento parece que eu senti um ser das águas ao meu lado, quase como que se relance, me acalmando e como se estivesse me “concedendo” o dom de respirar em baixo dágua (ou a calma necessária pra perceber que isso era possível). Mas foi apenas um relance, não conseguiria descrever o Ser. Só sabia que ele era mto luminoso e bem-intencionado. Depois que ele apareceu, fui conduzida pela própria água a reparar que havia ali pertinho, um buraco na piscina, que formava um pequeno “furacãozinho” na água, que escorria pra lá. Fiquei curiosa e olhei pra dentro do furacãozinho. Ele dava para um cano com uns 30cm de diametro por onde a água escorria. Sem querer, fui me deixando levar por aquele cano, até que reparei que ele saía do outro lado de uma piscina e hotel idênticos ao que eu estava anteriormente, só que do outro lado. Quando reparei isso, comecei a ouvir um barulho ensurdecedor, como um “iiiiiiiiiiiiii....” estupidamente agudo e sentir uma sensação de balonamento. Lembro de conscientemente ter pensado:

- A água é condutora! Isso é uma técnica! Um portal!

Ao mesmo tempo ouvia a voz do Tori me dando instruções:

- Deixe a água de conduzir. Ela é poderosa. Se eu fosse você abriria os olhos aos pouquinhos... Pra se acostumar...

Porém eu naturalmente fazia coisas diferentes do que ele estava falando, e a voz dele estava me desconcentrando. Quando ele reparou isso, parou de falar, rsrs...

Voltei imediatamente para o lado original da piscina, e me acalmei. Enxi os pulmões de ar (ou água, isso é muito estranho! Rsrs) e me deixei mergulhar naquele buraco na piscina. Não pensei. Simplesmente me entreguei. Quando saí do outro lado, estava inteira formigando, a piscina e o hotel eram idênticos, porém, eu parecia diferente (apesar de idêntica fisicamente). A sensação de balonamento e de estar em um outro mundo me envolviam a medida que eu subia para a superfície.

Assim que alcencei o ar na piscina do outro lado, eu repentinamente estava de volta ao meu corpo físico, porém com certo estranhamento. Estava de volta ao meu quarto, deitada, na mesma posição que tinha ido dormir, a sensação de corporalidade era tão óbvia que eu por um momento achei que tinha acordado. Porém o barulho ensudecedor e a sensação de formigamento não me abandonavam. Estava com os olhos fechados, e sabia que não deveria abrí-los. Era tudo estupiadmente lúcido, estupidamente real! E eu sentia que poderia fazer qualquer coisa que quisesse! Pensei então na coisa mais legal que conegui: me fundir de novo com a Gaia. No que pensei isso, aquele barulho enorme da outra fusão me invadiu e senti uma atração ainda mais forte, que se eu não tomasse cuidado eu iria praquela escuridão densa e infinita que eu sentia no centro Dela e nunca mais voltaria. Quando notei isso, voltei pra perto do meu corpo físico, onde estava antes, e percebi que deveria tomar cuidado com o que fazia. Tentei me acalmar, controlar minhas emoções. Quando consegui, intentei então para flutuar acima do meu corpo, como eu sempre fazia quando queria me projetar. Para minha surpresa – ou nem tanto rsrs – eu consegui flutuar com uma facilidade impressionante, e o barulho passou. Estava ainda meio incrédula, no entanto... Me posicionei então ao lado da minha cama, virada pra mim, ainda de olhos fechados. Mais uma vez, para meu espanto, consegui realizar essa manobra com uma facilidade e fluidez impressionantes. Ainda assim, estava cética a esse respeito. Pensei em alguma forma de tirar essa dúvida... Então me agaichei ao lado da cama, ainda virada pro meu corpo físico, e comecei a tatear a cama, ainda de olhos fechados, pedacinho por pedacinho. Se eu estivesse realmente projetada, sentiria meu corpo físico (assim eu pensava, porém era um “pensar” diferente, sem palavras). De repente senti uma pele quente na ponta dos meus dedos e como um reflexo, tirei a mão. Eu estava fora do meu corpo físico!Por um momento quis olhar pro meu próprio corpo, mas senti que não deveria. Fiz então uma técnica de abrir e fechar os olhos de relance, para poder lidar com a imagem aos poucos. Quando fiz isso, vi meu próprio corpo deitado na cama daquele ângulo que eu estava, agaichada, pro impacto ser menor.

Decidi então exercitar meu duplo. Olhei ao redor pro quarto... Tudo parecia igualzinho! Até com meu piercing – que coloquei há menos de um mês – eu estava! Porém, eu sabia no meu íntimo que eu não estava no meu corpo físico. A sensação era muito diferente. Comecei então a andar ao lado da cama. Sabia que não deveria concentrar minha atenção em andar com os pés, mas sim com intento, imaginando-me fluindo pelo ambiente. Imaginei um fluxo até os pés da cama, e depois até a janela... Bem devagarzinho, pra me acostumar com aquela sensação... Suavemente... Eu estava com uma sensação estranha, de como se eu fosse de areia, como se eu inteira estivesse formigando, porém conforme o tempo passava eu sentia essa sensaçaõ diminuindo.Quando cheguei na janela, que estava fechada, comecei a me perguntar pra onde ir. Afinal, eu podia tudo! Pensei nos lugares belos que poderia visitar, nas pessoas que poderia ver, nos testes que poderia fazer... Eis que algo me interrompe: senti que meu celular começaria a tocar no próximo milésimo de segundo. Olhei pra ele de onde estava, vi de relance meu corpo na cama e soube que se não voltasse muito rápido pro meu corpo físico eu ia levar um susto enorme e “cairia” drasticamente no meu corpo físico, levando aquele susto fudido que eu sempre levava quando queria me projetar. Tive que agir muito rápido. Lembrei-me da piscina e intentei voltar pra ela. Logo estava no cano, passei por ele, voltando pro outro lado da piscina original, o que me levou de volta ao corpo físico, deixei minha energia se assentar nele antes de me mexer, e me voltei para atender o celular. Era um aluno remarcando o horário da aula.

Havia uma sensação de adrenalina em mim, mas ao mesmo tempo não era pelo susto, mas sim pela velocidade que eu tinha agido. Falei com o aluno normalmente. Desliguei o telefone, ofegante. Era como se nada tivesse acontecido, como se a lembrando fosse algo muito distante, ou que nem tivesse acontecido comigo e sim com outra pessoa, mas eu sabia no meu íntimo que tinha sido real. Só então parei pra pensar no quanto aquilo tinha sido especial! Era a primeira vez que eu tinha uma experiencia tão lúcida! Em que eu pude até sentir o toque do meu corpo físico! Aquilo tinha sido muito especial, e então corri aqui pra descrever tudo antes que esquecesse qualquer detalhe...

Agora que já o fiz, está na hora de reaver a minha serenidade. Felicidade e euforia são duas coisas muito distintas e que nós estamos muito acostumados a confundir. Não acho que a felicidade possa ser nociva a mim, a euforia sim. Vai ser difícil pros meus instintos leoninos, mas eu vou conseguir separar uma coisa da outra na minha cabeça. Mas eu não mais vou me repreender por ser efusiva, como faria antes... Afinal, uma guerreira é o que, não é verdade? rsrs...

Intento!

sábado, 17 de março de 2012

Perdendo a direção...


Acredito que as últimas notícias em relação ao destino de Castaneda, as feiticeiras e tudo que tange suas histórias tenham sido talvez um pouco pesadas demais pra nós. Pode ser que eu esteja exagerando, ou que eu tenha sido a única que tenha sido abalada tão fortemente por esses acontecimentos todos, mas se eu pensar assim vou acabar não escrevendo nada. Como sinto que preciso escrever essas coisas que se seguirão, vou partir desta premissa. Se ela estiver incorreta, pelo menos teve alguma serventia pra mim, e você pode parar de ler o texto aqui mesmo se quiser.


A questão é que, pelo menos pra mim, essas últimas revelações me trouxeram uma sensação de luto. Estranho não? Mas é real. O foda é que sinto que aquilo que foi exposto no último post do blog Inconfidência Guerreira não só é verdade, quanto também eu mesma comecei a "juntar os pontos" de uma série de eventos que aconteceram ultimamente comigo (que talvez chegue a postar em seguida) que só confirmam o que foi falado. 
É difícil explicar o porque aquelas coisas mexeram tanto comigo, talvez até embaraçoso. Mas o que não é a vergonha se não um capricho do Ego, não é mesmo? Então vamos lá... Acredito que primeiramente aquelas coisas mexeram comigo - além do óbvio de admirar aqueles caminhantes e suas jornadas, etc. - porque eu sentia uma identificação muito forte com as personagens do livro da Travessia das Feiticeiras, em especial com a Clara. Admirava-a pelos seus conhecimentos e seu comportamento. Ela acabou em questão de semanas se tornando um pilar nos meus referenciais mentais e emocionais. Poucas vezes na vida, em meu orgulho de leonina e desconfiança de felina, eu deixei alguém ser um pilar tão importante pra mim. Em segundo lugar, isso traz uma sombra de incerteza e um vestígio de tragédia a uma história que parecia tão impecável e tão "brilhante". E acredito que é aí que reside toda a lição da história.


Tenho uma teoria de que sem querer acabamos nos deixando levar pelos ensinamentos sem cumprir com algo muito importante deles: a experimentação pessoal. O "sentir na pele", por si mesmos. Como estamos acostumados a fazer, adotamos os livros do Castaneda e toda a obra correlata a sua como uma nova bíblia, um caminho a seguir e zelar, uma chave para um mundo maior, novo e encantador! Acabamos confundindo nossa vocação mais profunda, nossa curiosidade e inquietações interiores com uma rigidez sem fundamento em seguir o que era ensinado pelo Caminho. Adotamos Don Juan e outros naguais como nossos messiais pessoais que nos libertariam da "doutrinação" da Mente Social, sem perceber o paradoxo terrível que criávamos com isso. Eis que vem o Intento nos ajudar e abala implacavelmente esses nossos "pilares" mentais, e então podemos perceber o quanto eles são frágeis, sem solidez. Deixa explícito pra nós o quanto nos tornamos dependentes daquelas obras, daqueles ensinamentos, daquelas palavras acreditando estar seguindo o caminho puro da Verdade. De tudo o que desmorona no nosso psicológico desse verdadeiro tapa na cara que o Intento nos deu, algumas coisas ficaram intactas. Para cada guerreiro será uma ou outra coisa. Para uns quase nada foi perdido, para outros, quase tudo. Pra mim, foi o suficiente. O que importa é que olhemos pro que ficou. O que independe da história das feiticeiras, do CC, do Don Juan ou qualquer outro Ser do Universo não se desmanchará, e isso sim é o que poderemos considerar como uma lição realmente aprendida. Como parte de um Caminho verdadeiramente trilhado e conquistado! Se nosso poder se esvai quando a história desses guerreiros é "chacoalhada", é porque não é poder porra nenhuma. É apenas ilusão. Ao passo que se mesmo no meio de todo esse furacão um conhecimento continua ressoando como verdadeiro em nós, é porque esse conhecimento é verdadeiramente nosso. Não é uma ilusão protetora do Ego, que nos diz que "isso nós já aprendemos, vamos fazer alguma coisa mais avançada!". 


Estou dizendo tudo isso e talvez até sendo um  pouco cruel em pegar na ferida desse jeito porque foi isso que ficou pra mim dessa história toda, sabe. Não é agradável admitir isso tão abertamente assim, mas eu acabei me permitindo ser doutrinada em alguns pedaços do caminho. Quando digo "doutrinada", quero dizer acreditar em algo simplesmente porque alguém "importante" falou. E nesses momentos a gente se pergunta como pode ser tão tola, tão igênua... A real é que não tem como não se "apaixonar" por personagens que parecem tão complexos e reais - e as vezes até tolos - quanto nós. Meu coração mole fala mais alto. Tudo o que ele precisava era de um personagem assim pra se agarrar (talvez por se sentir meio solitário em sua complexidade e tolice, não sei...). Particularmente preciso distrinchar essa minha sombra e ver se consigo cuidar melhor dela daqui em diante. E acredito que cada guerreiro vai descobrir uma sombra ou duas com essa história toda. Se isso tudo servir ao menos pra isso, já terá valido a pena.


Outra lição importante (e que talvez sirva a maioria das pessoas que também se sentiram abaladas com essa história), e talvez a mais importante delas, é que meu, foda-se Castaneda, fodam-se as feiticeiras! Isso mesmo! Fodam-se eles! ashuasusauash... Don Juan, Castaneda, Taisha, Clara, Florinda e compania limitada são apenas pessoas às quais devemos ter gratidão por terem compartilhado o Conhecimento conosco. Uma gratidão pura e simples. Nada mais. Ou pelo menos a princípio. Seres do Sonhar que eventualmente aparecam para nós se apresentando como sendo eles, pouco importa se realmente são ou não! O que importa é o que fazem por nós. O próprio Don Juan poderia aparecer em carne e osso do meu lado aqui e agora. Se ele tentasse me matar, não ia estar nem aí pra quem ele é ou deixa de ser, quem vai morrer é ele! rsrs... Se eles nos ajudam, nos orientam para algo que nos afeta de uma maneira que sintamos ser Verdadeira e plena, "Ótimo! Poxa! Bom ter encontrado esse Ser! Não importa quem ele seja! Obrigado!". O resto, pessoal, é uma idolatria que não precisamos. Admiração é bom, claro. É gostoso ter alguém pra admirar. Mas nos espelhar nessas pessoas ou deixar, mesmo que sem querer, que nosso Caminho se paute no Caminho deles é ilusão e burrice. A Verdade tem que ressoar dentro de nós!


No meio dessa bagunça toda, intentei que o Grande Espírito me desse alguma luz, algum guia, e então me deparei com uma frase de Don Juan, que sempre bateu mto forte pra mim: "Se esse Caminho não tem Coração, ele não vale a pena.". Taí um pilar verdadeiramente digno! Vamos seguir nossos corações! Nossas almas! As Vontades Verdadeiras do nosso Ser! Isso sim vale a pena! E até Don Juan nos avisou disso! Os livros, as histórias daquelas pessoas, pouco importam! O Intento teria nos ensinado as mesmas lições mesmo sem aqueles livros se assim nós intentássemos. Não podemos nos esquecer disso. Guardemos então a Gratidão, a admiração e sigamos em frente. Se nossos caminhos se cruzarem, vamos deixar que nossos Corações nos guiem, não palavras de um livro ou outro. A não ser que decidamos ser conscientemente doutrinados, por uma questão de escolha pesoal e voluntária. Particularmente, não é meu caso. Meu objetivo verdadeiro é ser Una comigo mesma e com o Todo ao meu redor, e pra isso, (in)felizmente nunca vai existir uma receita pronta! A Liberdade Total não é um bolo, e as obras de Cataneda não são o livro de receitas de como fazê-lo. E sei lá eu se quero essa tal de Liberdade Total! Isso mesmo! Eu falei essa blasfêmia! Atirem ovos em mim se quiserem! Nunca provei pra saber se é bom! Como vou entregar minha consciência a um negócio que eu não sei como é?! Enquanto não tiver uma amostra não decido! Pronto! huuasuasauhasuhasshhasuhu...


Espero que essa minha dilaceração psíquica pública tenha valido a pena pra ajudar mais alguém além de mim mesma... Foi difícil, mas, afinal, é isso que é ser artista, não é?


Intento, meus amigos!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Um passeio além da pele



Lembrei-me do capítulo indicado pelo Tori, “Florinda”, do livro “O presente da Águia”, que contava a história da espreitadora do grupo. A princípio uma moleza tomou conta de mim, como todas as vezes que eu começava a ler algo importante. Porém eu tinha uma energia extra dessa vez, e eu tinha um propósito. Eu devorava aquele capítulo letra por letra. Não foi suficiente. Sabia o que me esperava no capítulo seguinte, e emocionalmente alterada com o que estava lendo (que mais parecia que eu presenciava do que lia), continuei sem parar pelo capítulo da Serpente de Plumas, o último do livro. Uma confusão mental e emocional tomava conta de mim, e minhas partes mais profundas já podiam começar a interpretar aquilo “um grau além”.

Eis que uma presença aparece ao meu lado e me diz:

- Pare! Este conhecimento não é para você... Ainda.

- Mas eu quero saber o que vai acontecer!

-Pare!

Não havia como questionar aquela ordem. Ele parecia muito certo do que estava dizendo, e no fundo eu sentia que aquele capítulo estava mexendo comigo de formas que eu não tinha o aparato teórico para entender por completo. Ao menos não por enquanto...

Dei um grito de raiva, querendo liberar a excitação que eu tive de conter por parar a história no meio. No momento que o grito acabou já não restava mais nenhuma sensação de ódio e eu até meio que estranhei tanto pití por tão pouca bosta... O que fazer então? Eu tinha acumulado uma dose grande de energia de algum lugar... Talvez dos passes mágicos novos, ou do fortalecimento do tonal, que parecia ter entrado num ciclo vicioso de fortalecimento nos últimos tempos, ou talvez das leituras que tenho feito... Não importa. Aquela energia me inundava, me entorpecia e ao mesmo tempo me revigorava. E eu simplesmente não sabia o que fazer com ela! Eu andava de um lado pro outro na casa, instintivamente. Já não mais pensava, ou tinha devaneios. Apenas andava, e sentia aquela energia vibrando em mim... A sensação era de um “aqui e agora” absurdos, e ao mesmo tempo meu corpo tinha um leve formigamento, minha mente um torpor, mas tudo vibrava muito intensamente... Os sons ao meu redor eram límpidos como um quartzo, meus pés tocando o chão, o toque das minhas roupas na minha pele, o calor, o suor, e ao mesmo tempo era tudo secundário em relação àquela vibração. O que mais me seduzia, me encantava, ou de alguma forma me “chamava” era a sensação de que a qualquer momento eu poderia sair do meu corpo físico, abandoná-lo como quem abandona uma roupa que se desprende, e ainda assim continuar andando, com meu corpo estirado pra trás... Não só eu tinha essa sensação mas eu também desejava aquilo! Era como se eu precisasse sair dele! Como se tudo no meu Ser vibrasse pra ele sair! De um jeito ou de outro.. Eu só pensava em me libertar dele, em abandoná-lo. Era um instinto muito forte! Várias vezes cheguei a cambalear, achando que estava saindo,mas só levei alguns tropeções em vão... Porém a idéia me fascinava cada vez mais...

Naquela noite eu me projetaria. Tinha isso muito claro na minha cabeça... Meu corpo pedia por isso. Desesperadamente. Deitei na cama e comecei a praticar os processos de tentativas de projeção que um dia eu fiz... Sempre foi muito fácil pra mim me projetar... O difícil sempre tinha sido voltar completamente para o corpo depois. Porém ali, naquela noite, estava sendo tudo muito diferente... Eu estava com os braços abertos, o corpo jogado no colchão, respirava calmamente, mas a sensação que geralmente me invadia antes, de leveza, torpor e de ‘inflar’ como um balão não vieram... Ao contrário, eu me sentia mais pesada que antes, e uma sensação muitíssimo forte de “aqui e agora” me invadiam. Os sons pareciam mais altos, meu corpo parecia mais meu, eu parecia mais “encarnada” do que nunca! Demorei, mas saquei que o lance seria eu conseguir me projetar, mesmo com aquela sensação. Mesmo com aquela euforia deliciosa que me invadia... Relaxei, tentei e intentei o máximo que pude... Com mto esforço consegui sentir meu corpo vibrando, aquela formigaçãozinha leve que dá nessas horas. Com mais muito esforço, consegui me dividir, entre um corpo que flutuava a uns 1,5m acima de mim, e o meu corpo físico. Porém mesmo que a minha consciência estivesse no corpo que flutuava, eu não conseguia abandonar a sensação de corporalidade do corpo físico. Eu ainda sentia tudo, e com isso minha consciência enfraquecia... Comecei a conscientemente desejar estar naquele outro corpo.... Com o passar dos minutos senti que estava pronta. Apenas um desejo realmente forte e eu seria expulsa do meu corpo físico.

Nesse momento uma visão terrível me veio à mente... Eu sabia quem era. Ele vinha em negro, como uma gosma fantasmagórica, sem forma, com uma máscara de caveira de algum bicho muito estranho, querendo me assustar, me fazendo voltar pro corpo físico, apavorada. Realmente, o susto de início foi grande, mas então me lembrei de que aquela coisa não podia me matar, e se pudesse, que matasse! Eu seguiria meu caminho. Lembrei na hora que os guerreiros que começavam a querer fazer projeções costumavam ver essas “coisas” nojentas... Soube que estava no caminho certo. Nem por isso minha energia não se desequilibrou. Demorei um pouco pra recuperar meu equilíbrio e não cair num ‘susto’ no corpo físico nem “explodir” repentinamente no corpo astral (chame do que quiser). Recuperado um pouco do equilíbrio a sensação de estar a um passo da projeção completa tinha sido abalada. Pensei ser mais seguro tentar me projetar em algum lugar seguro, específico, ao invés de sair logo no quarto, a menos de 2m acima de mim mesma... Tentei focar em uma imagem, mas não consegui. Isso só gastou minha energia etérea, e quando pensei em voltar à técnica do quarto, a sensação já tinha ido embora. A sensação de corporalidade me invadindo como nunca.

Percebi então que estava disposta demais pra quem estava tentando Ensonhar... Aquela energia me deixava eufórica, elétrica, deseperada por movimento, por transcender a matéria e sua regras ridículas! Levantei-me na cama. Respirei o ar puro noturno pela janela, olhei pra Lua... Minha consciência estava alterada. Eu ouvia e via tudo e mais além, a necessidade de movimento tomava conta de mim, o ar que eu respirava queimava em mim como fogo, me inundando de energia... Eu precisava de movimento! Eu precisava de ação! E assim, sem pesamentos, apenas seguindo meus instintos, caminho pra sala... Na minha sombra no chão, formada pela Lua e as luzes da cidade, percebo o que ocorreria... A pantera estava pedindo pra aparecer... Senti meu corpo virando a felina que me possuía... Eu já não mais sabia andar em duas patas, eu já via no escuro, e não havia polegares ou tornozelos.... Percorri a sala naquele estado mágico, com toda a intensidade que aquela energia me permitia.

Eis que olho para a parede e uma energia rosada e amarela, numa pequena bolinha, me chama atenção. De alguma forma, eu sabia que ela era o meu alvo... Senti meu sangue felino ferver... Eu quase escutava um rugido baixinho saindo da minha garganta... Minha coluna, pernas e ombros se contraíram, me preparando numa posição de ataque. Estranhei uma posição de ataque tão longe do ponto, eu não alcançaria aquele ponto daquela distância... não num pulo só... Mas a pantera discordava de mim, e não dando ouvidos aos meus pensamentos, sentiu quando era a hora de atacar e se não tomo cuidado me machuco seriamente na parede. Aquela distância tinha sido mais do que suficiente! Reparei que aquele susto tinha diminuído a sensação de excesso de corporalidade... Eu por um momento era leve como uma pluma, fluída como energia pura... Saquei na hora o que ela queria me mostrar... Era assim que nós nos projetaríamos... Logo um segundo ponto, do outro lado da sala nos chama a atenção... Mais uma vez estranho a distância que ela toma, e atacamos juntas. O susto foi ainda maior, assim como a pancada no meu joelho. Repeti o processo mais duas vezes, em saltos cada vez maiores, até que decidi atacar na cama, onde tivéssemos um lugar macio pra cair e a preocupação em se machucar não nos desconcentrasse. Depois de duas tentativas, eu estava muito cansada, e me senti mais perto de relaxar o suficiente pra me projetar... Na verdade, talvez tudo aquilo tivesse sido um meio de queimar energia pra que eu pudesse relaxar... Levantei da cama num pulo, e comecei a fazer instintivamente alguns passes energéticos pra tentar entender melhor o que estava acontecendo, tentar entender o que fazer com aquele energia e como fazer para me projetar com ela. Após alguns passes ( que eu nunca tinha feito antes, que vieram a mim de repente) , grande parte da energia foi liberada, se integrando a um fluxo natural no ovo luminoso... Eu me sentia levemente cansada. Fui pra cama de novo... Dessa vez estava mais perto... E quando comecei a me sentir um pouquinho mais leve, o predador me aparece de novo. Dessa vez foi mais fácil não me desequilibrar.

Intentei por ajuda. Eu estava vendo que não ia conseguir me projetar sozinha... Eis que eu sinto aquela presença de novo, recomendando técnicas de respiração e mentalização, me incentivando... Lembrei de uma técnica em que o aprendiz podia sair pelo próprio chákra coronário e já senti uma parte minha se libertado e se inflando como uma bolha. Essa parte se posicionou ao lado da mesma presença que tinha me dito para interromper a leitura há minutos atrás.

- Pronto. Você está aqui.... – e ele já era uma bola de luz

- Mas eu continuo sentindo meu corpo, mesmo que minha mente esteja aqui... Não há nada que possamos fazer? – e então todo o resto do diálogo se deu sem palavras, apenas silenciosamente

- Não por hoje... Essa sua energia lhe foi dada como algo poderoso, que substituirá a sua falta de sobriedade por enquanto... Use-a com sabedoria...Com essa corporalidade extra você vai ser mais capaz de se equilibrar e se manter equilibrada, coisa que era muito difícil pra você antes. Porém, vai ter que aprender a Sonhar com ela, agora... E quando conseguir vai ver a Sobriedade que terá!

Soube naquele momento que precisava me libertar das minhas amarras pessoais. Senti que eram elas que impediam que eu saísse totalmente do meu corpo físico e fizesse isso sobriamente. Vi o quanto o caminho que teria que percorrer era longo, mas também vi o que me esperava no final dele: uma limpidez incrível. Me pergunto se é isso o que chamam de consciência intensificada... Porque era assim que eu me sentia... intensa! Em tudo o que fazia!

No que ele me explicou sobre a energia, uma imagem me veio na cabeça... Eu estava em um cenário que parecia um plasma, que a todo momento mudava de cor. Daquele plasma, subia um “manto” verde-água, com manchas em lilás, e com filamentos brancos e prateados que brilhavam lindamente, no formato de teias de aranha, e mais pareciam “veias”, que faziam aquelas energias pulsarem. Era uma visão maravilhosa! A presença que estava comigo, me ajudava a “ajeitar” aquela energia em mim, como se ela fosse um vestido, que tivesse um jeito certo de ficar posicionado. Eu ajeitava aquele “manto” no meu outro ombro, pra que ele não caísse no chão. Não queria sair dele por nada... Era tão bom!

- Agora acostume-se com essa energia... Trabalhe com ela... Faça com que ela se “acomode” em você.... Ela é como uma roupa nova pra quem sempre andou pelado. Vai ser estranho no começo, até você se acostumar. Portanto concentre-se nela e faça o máximo de coisas possíveis sem perdê-la. Ela lhe servirá a um propósito muito importante!

Soube também que quando a minha tagarelice mental começava, a energia de dissipava, e com ela minha consciência e vitalidade! Era como se a minha saúde agora dependesse de eu calar minha boca mental... ashuashasuhasuhasuh E era difícil... Provavelmente ele que me “disse” isso, meio que sem palavras.

- Pronto, era só isso que eu queria te mostrar..

Até considerei a hipótese de ter mais coisas pra fazer ali, naquele estado especial, mas já estava muito cansada, e a presença já tinha me deixado claro que era hora de voltar. Então voltei ao meu corpo físico, numa aterrissagem suave e muito nítida. Tentei me levantar para fazer algum serviço doméstico pra me acostumar com a energia, mas estava cansada, parecia enfraquecida...

- Não é sono... é apenas uma mente cansada. – ele disse, pra minha surpresa – Agora ela tem que chefiar mais energia, e não tem força pra fazer isso por muito tempo. Por isso é importante calar o diálogo. Medite e se sentirá melhor. É como se sua mente estivesse querendo ‘expulsar’ essa energia estranha. Não deixe! Você precisa de toda ela! 

Fiz o que ele recomendou, porém só fiquei ainda mais cansada e ao levantar senti uma vertigem.

- Ok... Agora sim, é hora de dormir.

Finalmente concordávamos! Fiz uma saudação à Lua, na janela, altamente alterada por aquele estado mental novo (em que eu mais parecia uma bêbada, devido ao cansaço), e me entreguei ao sono... Que não vinha. Eu sentia um enorme cansaço físico e mental! Porém nada parecia me trazer o sono que eu precisava. Com aquela energia e com aquela lucidez, eu podia ver a energia ao meu redor, senti-la, identificar suas fontes com muita facilidade... Então uma energia de um acontecimento que tinha acontecido naquele apartamento me invadiu a mente e eu entendi tudo de uma vez. Aquela energia não era pra me fazer sonhar, mas sim para recapitular! As "cenas" que vinham a mim, não vinham mais em um turbilhão de coisas, que me deixavam sem saber com onde começar e exausta. Elas vinham uma a uma, intensas como nunca, e não me deixariam por nada. Eu sabia que, naquela noite, eu estava começando um longo trabalho...


Efeitos secundários da nova energia

Depois que recebi aquele “manto” novo, reparei algumas mudanças em mim. A primeira delas é uma audição mais apurada (ou uma sensação de uma audição mais apurada). É como se com um pouco mais de concentração eu pudesse “ver” as energias ao meu redor, ver meu ovo luminoso e de outras pessoas (com maior dificuldade). O calor para mim já não me drena mais tanta energia quanto drenava antes (era algo quase caricato de tanto que eu odiava o calor! Rsrs). Não que eu não o sinta mais, mas parece que meu corpo reage a ele com menos “desespero”, “atacando” menos. Ao mesmo tempo, tenho reparado que tenho suado mais, mesmo quando em comparação com outros dias que fizeram a mesma temperatura. Meu olfato também parece ter ficado um pouco mais aguçado, consigo até detectar qual é o meu cheiro e o cheiro da minha casa (que antes eram as únicas coisas que não tinham cheiro nenhum...rsrs), mas pode ser que isso passe com o tempo, conforme eu for me reacostumando com eles.
Outra coisa curiosa é o efeito no tempo, parece estar passando de maneira mais lenta também. Não no sentido de ser algo moroso e entediante, mas no sentido de que eu pareço conseguir fazer muito mais coisas durante um dia, e quando acho que daqui a pouco o por-do-Sol vai começar, olho no relógio e vejo que são 14h da tarde!
Sim, é mais preciso do que nunca calar o diálogo interno. A “platéia interior”, como diria Tori, nos drena muita energia, mas ao mesmo tempo eu pareço que consigo calá-la mais facilmente. Se antes eu precisava gastar muita energia para ficar atenta a esse diálogo, e me era exaustivo calá-lo, hoje eu gasto alguma energia para ficar atenta, e colocar um fim nele só me custa “intentar” isso.
Por outro lado, parece que Ensonhar agora vai ficar mais difícil... Vou ter que aprender a levar aquele "manto" comigo quando for "sair pra passear", e ser muito firme em manter minha recapitulação.
Parece que as regras do jogo mudaram agora... E eu não tenho muitas opções de jogada...rsrs





quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Cura extrafísica


Fim de tarde em casa.

Meu estado emocional era lamentável. Já não sobrava mais nada de mim pro resto do dia.
Eu me desesperava em minha própria dor. Ela começou como uma sensação de pesar, evoluiu para Tristeza profunda, Dor emocional e em seguida Dor física na região do coração, se erradiando pro peito.
Não sabia que um estado emocional podia provocar tamanho abalo no corpo físico.

Eu sabia que não podia continuar naquele estado por muito tempo. E eu já não aguentava mais!
Eu sentia meu emocional doente, viciado em sensações pesadas e dolorosas. Eu já estava em um estado de dependência química e física da tristeza. Não importava quemeus pensamentos não me conduzissem necessariamente a uma coisa triste, a tristeza desesperadora continuava me assaltando, me roubando, me desviando do meu curso, me sugando como um redemoinho, me afogando...

Eu precisava me curar.
De alguma forma, de algum jeito... Eu não tinha Dons especiais com o Além-Véu? Pois bem, hora de usá-los!
Eu sariria desse estado de um jeito ou de outro. Não importa o que custassse. Eu não ouviria aos choros mimados do meu inconsciente fragilizado. Eu não cederia aos olhinhos suplicantes das minhas emoções quando elas me pediam pra tentar encontrar o que tinha dado errado com aquele relacionamento uma vez tão belo...
Nem que eu tivesse que calar a minha própria consciência das minhas emoções, eu não ouviria mais a esses apelos!

Sentei-me na minha cama de pernas cruzadas à la índia, com as mãos pousados nos joelhos, como de costume. Sempre encontrava conforto nessa posição.
Acalmei a respiração. Tentei abrir meu terceiro olho (sem ele não tem meditação pra mim).
Não consegui. Continuei controlando minha respiração, tentando suportar aquela sensação de uma mão espremendo meus pulmões que me sufocava. Com o tempo ele abriu de leve, mas logo se fechou.
Minhas energias estavam se esgotando...

Eis que intento por ajuda. Deve haver alguém em algum lugar que possa me ajudar com isso!
Dito e feito.
Sinto uma presença recém-chegada no meu quarto, na beira da cama, atrás de mim.

"Você precisa abrir o corpo", ele disse meio sorrindo. " Deite-se esticada aqui na beirada. Eu vou ajudar você" , ele dizia sem palavras...

Nem pensei em nada. No estado de cansaço e pira que eu estava, eu faria qualquer coisa que alguém dissesse que ajudaria! 

"Levante sua blusa até o chákra do estômago.", ele disse de novo sem palavras.

Ele começou então a aplicar como se fosse um Reiki em mim. Não mexeu no coração, como eu esperava. Começou acalmando chákra básico, que foi rápido, passou para o chákra umbilical, tentando destravá-lo e fechar a drenagem e vazamento de energia saindo dele. Eu quase podia ler seus pensamentos:

"Hmmm... Acho que encontrei o problema..."

Ele passou ao chákra estomacal, abrindo-o.

"Aqui que o verdadeiro problema está. Abra esse chákra, equilibre-o e o desbalanço vai cessar. Mas deixe comigo, apenas relaxe. Eu quero que você respire bem fundo e tente limpar a mente. Você sabe o procedimento..."

Ele ficou um bom tempo nesses chákras. Eu tentava não pensar pra não acabar intentando nada e atrapalhando o processo (mesmo porque ahavia uma sensação de estar meio 'dopada'), mas lembro de sentir claramente um alívio quase imediatao quando ele começou o processo. Ela como se tirasse um peso do meu peito! Minha aura se expandiu ao nível quase normal de novo, apesar de eu saber que não estava curada ainda... Em alguns momentos do processo, imagens vinham à minha mente, como flashes de memória de acontecimentos passados, como um "arroto" do subconsciente sendo trabalhado. Dessa vez, quando as imagens apareciam, eram "abençoadas" (não encontro outro nome) e iam pra outro lugar (ao inves de ficarem 'girando' na minha cabeça, me torturando). 

"Preciso que você levante um pouco mais a blusa."

Tirei a blusa, apesar dele parecer meio desconfortável por eu ficar nua pra ele (parecia um espírito bem humano). Mas logo o acalmei, dizendo que pra me livrar daquele sentimento eu não queria nada atrapalhando. Ele pareceu ficar de boa com isso, e até achar melhor pra trabalhar. Percebi que a blusa estava imersa em uma energia nojenta, pegajosa... Era como se até minhas roupas captassem esses estados e ajudasse a "inspirá-los" em mim. Ele começou a mexer no chákra do coração. Senti que iria adormecer.

"Coloque os braços pra cima e continue respirando fundo. Dormir potencializa o processo."

Coloquei os braços como ele pediu. Pra minha surpresa, essa nova posição corporal, toda esticada na cama, era estupidamente confortável. Adormeci.

O sono foi cheio de imagens carregadas e bizarras, porém elas já não mais me causavam nenhum desespero. Agora estavam envolvidas com a energia do meu amigo curador, e me eram inofensivas. Eu acordei 2 horas depois, como se tivesse dormido um sono de uma noite inteira muito bem dormida. Minha boca estava todinha seca por dentro. Eu tinha dormido de boca aberta e com os braços pra cima o tempo todo! hashashash... Foi cômico, parecia que eu não tinha mais língua! Eu me sentia renovada! Não havia mais desespero! A tristeza já não tinha mais tanto impacto sobre mim, eu era gente de novo! rs... Sabia que não podia abusar daquele estado, principalmente no começo, então era bom me manter vigilante com meus pensamentos. Mas eu sabia que aquele estado era definitivo e só melhoraria com o tempo.

Uma vez acordada, agradeci ao espírito benevolente que me ajudou. Ele estava já curando outra pessoa, em outro lugar. Mandei um bloco forte de gratidão e energia bem positivas pra ele. Quem sabe, não seria útil pra outras curas. Quis retribuir de alguma forma o que ele tinha feito por mim, mas ele me respondeu (sem palavras) que ele tinha feito isso às cegas, apenas por ajudar alguém que precisasse. Para retribuir, era só fazer o mesmo. Afinal, não há limites entre nós e o Universo. Fazendo bem meu ao meu redor, eu estaria pagando muito além a bondade que ele me concedeu. Agradeci mais uma vez e saí do quarto.


Eu nunca mais sofri tão desesperadoramente desde então.
As situações não mudaram por um bom tempo, ainda assim, eu nunca mais voltei àquele estado.


Graças ao Universo, e seus Espíritos benevolentes!
Obrigada mais uma vez, esteja onde estiver...

sábado, 19 de novembro de 2011

Relato: Quando a Naja nos ajuda...







Tarde de uma terça de feriado.

Tinha chovido, os verdes tinham novas tonalidades, o ar tinha outro cheiro.
No lugar errado, na hora certa, eu pensava sobre a vida e suas mortes... Eu tentava encontrar algum alívio, alguma dose de ar, enquanto eu me afogava em sentimentos ruins. Havia culpa, havia mágoa, haviam armadilhas ridículas e manjadas típicas de um Ego ferido e uma Alma distante.
A estrada estava linda, o ar estava renovado, o vento era forte e bom.
Vontade de meditar.
Os olhos fecham. Mas eu estava acordando...

Havia uma floresta ao fundo, antes dela, eu me via de algum ponto de vista externo a mim o que se passava.  Eu estava de cócoras de costas pra mim mesma. Havia um grande borrão marrom entre eu e uma das árvores da floresta, como se eu estivesse querendo pular pra árvore, mas não conseguisse. Eu estava vestindo um sobretudo preto muito familiar e confortável, com uma bota preta que eu costumava usar quando queria andar um lugares de matos altos. Meu cabelo não tinha os tons avermelhados de normalmente, mas sim um marrom profundo, cor de chocolate, e estavam mais lisos que o natural.
A imagem era meio 'líquida'... Não era estática, firme, como geralmente é... Era borrada e estranha...
Intentei pular para a árvore. Quando fiz isso, meu corpo tomou outra forma... Uma forma marrom, parecida com a de um urso... quis conversar com esse urso, mas logo apareceram outras formas na minha mente... Era como se diversas formas de animais estivessem brigando dentro de mim pra ver qual 'venceria'. Enquanto isso, meu corop mudava de formatos, misturando diversas partes de animais no meu próprio corpo. Era como se eu virasse uma besta. Parei de tentar definir uma forma única e deixei que a maluquice toda acontecesse, sem brigar com ela ou tentar escolher uma forma. Nesse momento a imagem voltou a ser mais nítida como o de costume, porém a imagem não era nada agradável (apesar de que na hora eu não tinha nenhuma sensação ruim em relação à besta, não havia julgamento). Eu cambaleava de um lado pro outro como uma bêbada enquanto diferentes formas de feras cosntantemente mudavam minha aparência. Em um segundo eu era uma loba marrom escuro cabeça ao peito, com pernas de tigre, mãos de urso, no outro, era cabeça de urso, asas de coruja, garras de leão e corpo de lobo... Sempre animais de cor entre marrom e preto... Mesmo quando algum animal fora dessa cor como um tigre aparecia no meio da bagunça, suas cores mudavam. Quando percebi a confusão que se iniciara, chamei pela Pantera, minha companheira. Ela mantinha distância e acompanhada as minhas mudanças de forma com uma expressão aflita, assustada, sem entender o que acontecia, mas pronta pra atacar ou fazer qualquer coisa que ela soubesse que devesse fazer. O ritual de transfiguração continuava. Meu corpo agia como se estivesse com muita dor, pelos movimentos, expressão corporal, apesar de eu não sentir dor (talvez isso que estivesse assustando a Pantera). 

Essa Dança das Deformações continuou por um longo período... Até que uma hora, era como se eu tivesse cansado. Eu estava de joelhos no chão, ofegante, em alguma forma que eu nem conseguia mais identificar de tão misturada que estava... A Pantera se acalmava... Aos poucos a perspectiva do lugar mudava... Não era mais um campo aberto com uma floresta ao fundo no começo, era uma clareira no meio da floresta, com um paredão de pedra de um dos lados... Da floresta da parte mais perto do meu ponto de visão, uma Naja se apresentava... Clara e acinzentada, vindo em nossa direção...
" Parece que alguém está precisando de uma ajuda...", ela disse sem palavras. 
Nesse momento, a besta se rechava como se tivéssemos aberto um zíper, como uma carcaça, como uma mudança de pele. Por dentro dela, eu aparecia com um vestido branco longo e solto, como aqueles da Idade Antiga, meio virginais e esvoaçantes. Minha pele estava excessivamente pálida e meus cabelos mais curtos que o normal, pretos e meio bagunçados... Eu também parecia ser mais jovem - jovem demais. era uma imagem frágil e melancólica, entristecida... Mas era também conhecida.  Aquela imagem era usada pelo meu subconsciente nos meus pensamentos simbolizando um lado inocente da minha psique, um lado desprogetido, desavisado, e extremamente dependente. Apenas em situações muito específicas aquele arquétipo pessoal meu aparecia. E é ele que tem sido o responsável pelos meus recentes "afogamentos emocionais". É para que essa figura saia do controle que eu venho lutado há semanas...
Eu saía da casca, agora renovada, com uma sensação de 'limpeza interior'... A menina assustada de branco olhava pra trás, para a carcaça, meio que inconscientemente tentando se esconder atrás dela de novo, mas nem eu nem a Naja deixaríamos... Eu ( ou ela, não sei ) caminhava em direção ao centro da clareira, lentamente, tensa, olhando pra trás... A Pantera lancaça olhares impiedosos pra ela.
A Naja se aproximava, se enrolou como que preparando o bote. Eu caminhei em sua direção e estendi a mão como que pedindo permissão para tocá-la... Sem pensar duas vezes, ela atacou meu pulso, furando-me em pontos estratégicos da circulação. Eu quase podia sentir seu veneno se espalhando pelo meu braço e todo meu corpo... Enquanto isso, ela subia no meu braço, se enrolou umas três vezes no direito, passou por trás do meu pescoço, se enrolou no esquerdo, e posicionou a cabeça perto da minha, um pouco pra trás...
Ela me apertava, forte, ela era pesada demais pra mim... Apesar de ter tudo para duvidar de suas boas intenções, eu não sentia medo. Não havia dúvidas de que aquilo estava sendo muito bizarro, mas também não havia dúvidas de que aquilo tudo tinha uma boa intenção por trás.
"Eu vou te ajudar...", ela dizia, novamente, sem palavras. "Eu só irei embora quando você tiver entendido"
Como se 'provocado' pela própria Naja, imagens começavam a invadir meu consciente. Infelizmente não me lembro com detalhes delas, mas o teor variava muito... De todo o Caos mental que eu estava vivendo estava ali. Logo entendi as regras do jogo... Com algns pensamentos, a Naja me era mais pesada, mais nociva, até me mordendo dependendo do caso... Com outros, ela me era mais leve, mais amiga, e toda a imagem da clareira ficava mais nítida... Às vezes eu pedia 'sugestões' de pensamentos pra ela, e ela logo encontrava algum que servisse, e com ele toda uma outra cadeia de outras imagens e pensamentos.
Eu me focava nos pensamentos e sensações nas quais a Naja era mais leve e amiga. Por um bom tempo fiquei me conectando com aquelas vibrações...
De repente, meu corpo começou a se mover de novo, como que em agonia, como na besta, mas dessa vez não havia desespero, eram movimentos de transmutação apenas. Como que em 'flashes' eu alternava entre a imagem da menina do vestido branco, e a imagem da mulher no sobretudo preto. Parecia que eu havia captado um padrão, mas não estava tudo claro o suficiente...
Nesse momento, a Naja começa a descer de mim... Eu ainda tinha a aparência da menina de branco, mas minha voz (que não tinha 'som') era mais madura, talvez mesmo mais do que a minha de normalmente. 
"Onde você vai?", perguntei
"Já não mais importa... O processo já começou...", ela disse, já sumindo na floresta de onde veio...
Lá estava eu sozinha na clareira de volta... A pantera também se livrava de alguma carcaça, e renascia em Pantera, dessa vez mais sutil.. Iria demorar até ela estar totalmente 'materializada' de novo, mas estava bem.
Tentei mudar sozinha para a forma da mulher de preto novamente. Às vezes eu conseguia sentí-la, às vezes apenas emoções negativas me atingiam, como um tiro na água... 
"Hora de descansar...", a Pantera disse... "Você volta depois..."

Abri os olhos. Muita estrada havia se passado... O cheiro de chuva não. Demorei vários minutos pra me situar de novo no espaço e tempo, como se estivesse re-colondo minha consciência no meu corpo físico de volta, bem aos poucos... Fiquei surpresa nos primeiros minutos com a densidade do plano físico, como se fosse difícil pra eu me 'acomodar' aqui de novo... Mas uma vez feito isso, eu me senti super energizada. Não haviam mais emoções me afogando, não havia mais desespero, dúvida ou aquela 'tagarelice mental' do dia-a-dia me tirando do eixo... Tudo que havia era uma forte e deliciosa sensação de brisa fresca de chuva dentro do meu corpo, paz... E uma fome daquelas! rs...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Stress


Certa manhã, acordei com uma estranha dor perto do ouvido. Não era uma dor de ouvido. Não era dor de dente. Era uma dor inédita num lugar inédito. Havia uma tensão por toda minha cabeça e pescoço. Meu maxilar parecia travar quando eu abria a boca. Bom, pra resumir a história, eu estava com bruxismo: o hábito de ranger os dentes durante a noite. Já tive isso antes, mas nunca tão drástico a ponto de ter dores de dia, e zumbidos no ouvido... Bruxismo é provocado por stress. O tratamento é simples: uma plaquinha feita por um dentista que você usa a noite, assim evita o desgaste dos dentes e impacto pro maxilar. Além disso, meus quatro sisos precisavam urgentemente ser extraídos porque estavam pressionando alguns músculos importantes relacionados ao abrir e fechar da boca.

 Alguma coisa naquele diagnóstico me deixou profundamente melancólica e decepcionada. Era o gosto de constatar que o que você está fazendo com seu corpo está fazendo mal pra ele. Constatar que a vida que você leva, te faz muito mal. E o pior: o estilo de vida que você está levando está fazendo mal pra ele. Mudanças fazem-se necessárias. Mudanças grandes. Eu sei muito bem de onde vem meu stress (ou pelo menos tenho fortes suspeitas...)

Fui pra casa com aquele ar de quem precisa pensar. Pensar muito. Revisitar algumas idéias. Conforme os dias passavam comentei com algumas pessoas esse meu diagnóstico, e tive várias surpresas: a primeira é que uma quantidade enorme de pessoas usava essa plaquinha pra dormir todas as noites. A segunda, e mais grave, é que hoje em dia “stress” não é mais doença, não é mais uma coisa que se “tolera” no dia-a-dia, mas hoje já chega-se num nível de se ESPERAR stress no dia-a-dia... Como algo comum, banal! E digo mais: em algumas corporações não me surpreenderia se ele fosse até bem-visto! Como uma prova de que a pessoa é realmente esforçada... Pouquíssimas pessoas legitimaram a minha atitude de repensar meu dia-a-dia como um tratamento pro meu problema porque “não dá pra fugir, então, use a plaquinha e não esquente a cabeça com essas coisas, porque é normal hoje em dia as pessoas andarem estressadas, fica tranquila...”
Mano! Stress não é brincadeira, não é frescura, não é “normal”! Sinto muito, mas se você range os dentes a noite, você ESTÁ COM PROBLEMAS. Se você é uma pessoa ansiosa (no sentido clínico na coisa), VOCÊ ESTÁ COM PROBLEMAS. Cara, se você volta pra casa sem ver nenhum sentido no que você fez durante o dia, passa suas semanas só esperando pelo fim de semana e tem náuseas com a musiquinha do Fantástico e lembrar que daqui a pouco é segunda-feira, está na hora de repensar sua vida, véio! O problema é que essas sensações já são tão comuns e freqüentes entre as pessoas que a gente nem liga mais... “Faz parte da vida...”, “É normal...”.  Não me surpreende que nós queiramos voltar a ser crianças! É claro que vamos querer voltar a um tempo em que nada era exigido de nós se não sermos o que somos! Não tem nada no mundo melhor que isso!

Precisamos reconstruir o jeito que as coisas estão. Para que pessoas em suas mais diversas naturezas (espontâneas e livres) possam ser elas mesmas, desenvolver seus propósitos mais íntimos e sagrados. Para que não importe se é segunda ou sábado, nosso bem-estar na dependa (tanto) disso. Stress, ansiedade e bruxismo não podem ser tolerados, e aceitos como “normais”. A infelicidade pessoal não pode ser tolerada – muito menos esperada! Não! Nem ferrando! E  se não posso levar a felicidade a todos – mesmo porque não é todo mundo que quer ser feliz – que pelo menos eu possa escapar dessa maldição, que a todos hipnotiza e aliena, e me fazer feliz! 

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Chamado


(créditos ao DeviantArt pela imagem)

Um dia a gente acorda...
E as coisas têm novas cores, os sons tem novas melodias, as vozes de sempre nos soam diferentes...
Há algo enebriante e entorpecedor no Ar, o Sol parece ser mais  confortante do que antes, a chuva nos soa como um convite ao nosso interior, a terra nos parece uma continuação dos nossos próprios pés...
E alguma coisa em nós antes adormecida agora dá seus primeiros suspiros e pulsam intensamente...

E em nossos corações nós sabemos o que está acontecendo...

É sempre muito especial o chamado da Mãe Terra pra cada um de nós...
O além-névoa sempre foi parte da minha vida desde que me lembro por gente... Visitas secretas mágicas ao meu quarto celebradas com danças e canticos em silêncio eram rotina... Espíritos bondosos me apresentavam esse mundo pacientemente.. Sabiam que eu era apenas um filhotinho mas com mta sensibilidade pra esse mundo, e aos poucos me explicavam como tudo funcionava...
Com o tempo eles disseram que não mais poderiam me visitar... Que eu já tinha aprendido tudo o que eles precisavam ensinar... Chegavam até a dizer que era melhor pra mim me concentrar em outras coisas do que só aquilo, que elas tb eram importantes pro meu desenvolvimento.

Assim foi feito...

Durante a pré-adolescêcia e puberdade eles se afastaram... Pelo menos aparentemente...
No começo da adolescência no entanto voltaram com uma força que parecia que queriam tirar todo o atraso... Mas dessa vez não eram espíritos amigos que me visitavam... Eu era atraída fortemente para o mundo deles. Para ver o mundo por outra perspectiva...
E foi num Por-do-Sol  no topo de uma montanha que Ela se mostrou pra mim...
Os espíritos da natureza ao redor faziam festa e celebração sem eu saber o que aconteceria... Eu só celebrava um fim de tarde que eu tinha conseguido escapar de casa para essa caminhada especial...
Eu andava no topo da montanha em direção a um lugar que eu costumava sempre sentar pra meditar, eis que depois de uma leve subida do terreno, o chão vai abaixando e descortinando um rosado por-do-Sol de Outono... Mas havia algo diferente naquele por-do-Sol... Cores a mais, luzes a mais... E logo eu e ele éramos um só...
Há meses eu vinha me aproximando dessas forças naturais mágicas, mas naquele por-do-Sol, eu senti em meu coração que agora estaríamos em contato permanente, eu a Ela...
Sentia uma luz crescendo no meu peito... Sentia um cheiro de flores que não eram daquela época e uma presença a mais... Eu mal ousava olhar.. Por trás de mim, um ser feminino em uma túnica-vestido branca esvoaçando com o vento do horário, e os longos cabelos escuros ricocheteando, se aproximava de mim, colocava a mão no meu ombro, me tirando todos os medos e incertezas... Era real!
Não foi preciso dizer nada... Eu só sentia um amor e honra enormes de estar ali com Ela...

Por dentro eu soube que seríamos uma só dali em diante.
Eu soube que nada mais seria o mesmo dali em diante...

E não foi.
Porque ao levantar e me virar para sair de lá, a Leste, a Lua sorria para mim...