quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Quando alianças viram algemas...



"Sempre que eu pensar em mim, vou lembrar de você. Seu nome está escrito bem forte no livro da minha história. Um livro sem páginas, mas que vai ser sempre lido por todos aqueles que no futuro me olharesm nos olhos. Vão te achar também nos meus olhos, gata... Vão achar em mim um pouco da sua frieza, da sua sensualidade, da sua doçura, do SEU EU" - trecho de carta "apaixonada" de um ex-namorado a mim.

" Eu: Está vendo, fulano? Esse sarcasmo [da piada acima] é influência sua!
Fulano: Que bom... Pelo menos deixei minha marca em você...
Eu: Que horror! Parece que eu sou um pedaço de terra que vc mijou em cima!
Ele: Disse num bom sentido... No sentido de lembranças, não de fluídos corporais"
Conversa com um ex pela Internet (não, eu não estava pensando nos fluídos mas sim na psique perturbada dele)

" Fulano: Poxa, pensa no meu lado também! Só te traí porque tenho muitos traumas, carrego tantas dores... Tente ser compreensiva..." - Argumento de ex para que eu aceitasse ele de volta depois de ter um caso de um mês. O que se seguiu a isso mereceria um post exclusivo, mas em resumo acessei uma parte desconhecida de mim mesma. Uma parte com um pacífico e total descaso com qualquer coisa inclusive eu mesma. Devido a isso, é a frase a qual eu mais sou grata de todos os relacionamentos.

" Feliz Ano Novo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!... : )" - a única mensagem de ex (que na época era atual) de feliz ano novo enviada pelo Facebook, no dia 2 de Janeiro. Passei a festa de ano novo com o celular na mão rezando por uma mensagem que não veio.

" Amigo 1: E a J.? Vcs não tão mais juntos?
Fulano (ex) : Aahh... Nada a ver mais... Melhor deixar quieto...
Amigo 1: Hmmm tendi...." - mensagem de Outubro enviada pelo Face de ex a um amigo que eu só veria meses depois.
Reparem na mensagem enviada por mim a um amigo meu na mesma semana:
" Essa semana ele apresentou uns sinais de melhora já sabe... Disse que vai procurar uma casa pra ele morar sozinho... lembro que qdo eu tinha 14 anos, quis morar sozinha também e logo após essa minha vontade comecei um processo muito forte de auto-conhecimento que foi as bases pra minha evolução espiritual e pessoal desde então... Quem sabe com ele não esteja acontecendo a mesma coisa... Ele diz que precisa de um tempo pra ele mesmo conseguir se descobrir, se encontrar no mundo... Nós dois concordamos que ele está passando por um processo muito importante de auto-descobrimento, e que quando isso acabar, poderemos ficar juntos, sem essas dores..."


" Eu tenho que admitir, gata, e você também, uma coisa: Eu ainda sou o ex da minha ex..." - confissão de ex-namorado após 6 meses de convivência diária.

" Uma pessoa só come morangos pela primeira vez na vida uma ÚNICA vez! Ela pode comer morangos muitas vezes, mas só será UMA vez que ela comerá morangos pela primeira vez! Eu convivi anos com as pessoas tratando morangos como algo rotineiro, só que eu mesmo nunca tinha comido morangos antes! Justamente porque eu estava esperando alguém que nunca tinha comido morangos para que JUNTOS nós tivéssemos essa experiência ÚNICA que nunca iria se repetir mais... Então, não venha me dizer que não faz diferença, porque faz!" - confissão de ex, entre lágrimas, sobre seu trauma de ter perdido a virgindade com idade mais avançada que eu.


"Essa questão de Grande Mãe, de Deusas femininas, na verdade vem das sociedade pastoris... Simone Bevouir fala sobre isso... Mas que na verdade servia como um símbolo, como um argumento para a dominação masculina... Porque ao mesmo tempo que o alimento vinha Deusa, ela precisava da interferência do homem, do arado, da plantação e etc. para dar frutos... Então no fundo essa questão de Deusas femininas reflete ainda uma visão machista, em que o homem teria o direito de se apropriar e "arar, semear" a mulher." Ex católico falando sobre minhas vertentes paganistas da época (essa vem até com referências acadêmicas!). O mesmo da historinha dos morangos, dizendo que meu caminho espiritual promovia o machismo. A autora citada se referia na verdade à apropriação e desvirtuação das antigas deusas pelas sociedades patriarcais.

"Não consigo vizualizar você no meu futuro. Nossos sonhos são incompatíveis." frase minha dita durante um relacionamento que durou mais 3 anos após essa constatação.

"Eu tenho medo de você." confissão com os olhos arregalados de ex quando comecei a falar a ele sobre meu Animal de Poder e minha forte conexão com as energias lunares.


"Eu: Nossa... Acho tão interessante que nesses três anos de convivência a gente aprendeu tanto a lidar um com o outro... Acho que vc está me entendendo melhor, finalmente...
Ex: É... É uma questão estatísica, neh...
Eu: Estatística?
Ex: É... Acho que não é porque eu te entendo melhor... Mas sim uma questão de tentativa e erro... rsrs..."
Momento romântico com ex-namorado cético.

"Como você pode dizer uma coisa dessas pra mim? Eu fiquei irada! "Se precisar você me reconquista depois"?! Um total descaso com a dor que eu sentiria quando você me deixasse, e uma prepotência absurda de ter certeza absurda de que você seria tão absolutamente irresistível que eu sem sombra de dúvida voltaria pra você... Sinto muito, mas hoje vc já tem que me reconquistar e eu nem sei se isso seria possível..." - carta escrita por mim a um ex namorado. Nunca entreguei essa carta porque achei-a muito agressiva. Passei a carta a limpo escrevendo as mesmas coisas de um jeito mais "amável" e aí sim entreguei. Essa versão ficou escondida e esquecida em um caderno até hoje.

"Poxa... Você acha que é todo homem por aí que age como eu? Que se importa se a namorada chegou bem em casa? Que se preocupa se ela está quentinha? Se ela está em segurança? Não, não se importam! Você deveria pensar bem nisso antes de decidir terminar comigo..." Ex-namorado vendendo seu peixe num marketing pessoal muito convincente numa conversa online logo após nosso término.


" É... Ainda tem muita coisa a melhorar..." resposta geral de dos exs quando eu mostrava qualquer trabalho artístico feito por mim.

"O seu problema é que quando vc termina um relacionamento aquilo morre para vc, é uma porta que vc fecha para sempre... E a vida não é bem assim... Meus pais por exemplo, se separaram e alguns anos depois meu pai reconquistou minha mãe e eles se casaram... E eu sinto que com você eu jamais poderia fazer isso..." ex, tentando tranferir pra mim um problema que era dele, rsrs...



Bom, fiz essa lista bizaríssima de falas de antigos relacionamentos como uma proposta mais sólida quanto às posturas de homens e mulheres em seus relacionamentos... Como era a proposta inicial do blog, estou expondo aqui aspectos profundos de aspectos rotineiros e práticos que lidamos diariamente, que era algo que eu sentia que faltava no Caminho do Guerreiro: a exposição, o visceral, o íntimo impronunciável, a ferida. Talvez seja apenas um gosto meio sádico da minha parte, mas talvez outras pessoas possam se sentir da mesma forma... Muitas vezes lemos nas obras do Caminho sobre não ser disponível, sobre deixar os outros em paz... E concordamos com isso, achamos lindo... mas muitas vezes não conseguimos ver dentro de nossos relacionamentos, nossas vidas, os sinais de disponibilidade... Por isso decidi colocar aqui exemplos que aconteceram comigo, na esperança que alguém possa identificar algo similar em seu próprio relacionamento (atual ou não).  Aqui foquei no relacionamento romântico (ou um projeto disso ashuhasuhasu) porém isso poderia se aplicar a outros relacionamentos de maneira análoga. Os trechos aqui expostos foram seguidos por recapitulações maravilhosas e libertadoras! Gostaria de dizer que dei uma 'aumentadinha' nos fatos relatados, mas eles foram desse nível para pior... Existiram situações ainda mais delicadas, mas que não compensavam ser expostas aqui por se tratarem se situações que precisariam ser melhor contextualizadas para serem compreendidas completamente. Vale lembrar que o objetivo não é pintar a caveira dos anônimos aqui expostos, mas sim expor a MINHA própria disponibilidade, a minha própria auto-negação, minha própria disponibilidade, e etc. Como vocês podem ver, já cheguei a extremos de auto-anulação e negação de minha Intuição várias e vezes e por períodos longos de tempo, atraindo inconscientemente homens que apesar de aparentemente serem diferentes, por dentro possuíam uma necessidade controle sobre suas parceiras. Ou seja, meu próprio intento era esse, sem que eu percebesse.

Houve uma manhã, em que eu acordei solteira pela primeira vez em muitos anos... Uma manhã após um dia e noite inteira sem pensar em homem nenhum do ponto de vista romântico. Acordei com vontade de me cuidar tanto externa quanto internamente. Tinha acabado de vencer um desafio importante que era extrair dois sisos e a recuperação tinha sido um sucesso. Com minha roupa favorita, peguei o carro do meu pai emprestado (eu amo o carro dele! rsrs), um símbolo pessoal pra mim de minha independência e fui comprar materiais para minhas Artes na cidade com minha irmã. O dia estava fresco e ensolorado... Enquanto contemplava a estrada, senti uma paz muito profunda, uma leveza em meu coração... Um momento de um silencio feliz de liberdade... De repente percebi que essa felicidade vinha de uma constatação de que agora só tinha eu no meu mundo... Não eu + os problemas de fulano ou cilano... Não era mais eu + alguém. Era só eu, a velocidade do carro, a música adorável que tocava e o céu azul... Libertos ao vento. Aquela sensação me tocou profundamente. Senti ali que apesar de não ter recapitulado quase nada ainda, eu estava de alguma maneira misteriosa liberta daquela locura.

É muito complicado falar de relacionamentos no Caminho do Guerreiro porque os "pecados" são muitos... Auto-importancia, disponibilidade... Estamos sempre nos pegando em pequenos tropeços diários e constantes que nos drenam energia... E nem sempre temos estruturas interiores suficientes para lidarmos com isso suavemente e acabamos nos xingando mentalmente, nos auto-julgando, ficando com raiva ou deprimidos a esse respeito. E não precisa ser assim... Quanto melhor aprendermos a lidar com esses episódios maior será nossa capacidade de aprenzidado... Daí o exercício da exposição dos erros. Sinto que a cada amigo que conto um erro que cometi em qualquer área da vida, lembro a mim mesma sobre esses perigos, e mais me distancio de cometer esse erro novamente, mais esse conhecimento se sedimenta em mim. Não só por falar, por repassar conhecimento, mas também porque a própria pessoa lança 'fios' de energia a respeito daquilo sobre mim, me vendo como uma pessoa segura, confiante... E bem, já que não dá pra evitar os fios, que eles venham de maneira útil...rsrs. Continuo recapitulando, e não desejando esses fios, mas descobri em contar essas histórias um poder oculto. O único risco é de a pessoa discordar de você e lançar fios de "putz... ela não tem noção do que tá flando...", vai da nossa intuição saber para quem, quando e como fazer esse "feitiço"... Contar histórias fictícias sobre derrotas e vitórias interiores ajuda a dar um "olé" nesses fios, que não atingirão nós mesmos, mas sim alguma outra coisa no Universo que acabamos de criar. Mas "contar histórias" é algo que merece um post só pra esse assunto...

É muito engraçado esse lance de recapitulação... Há um ano atrás estava vivendo algumas dessas falas na minha vida rotineira, e lembrar delas me causaria muita dor e aflição... Depois de recapitulá-las no entanto ao longo desses meses, elas parecem pertencer a uma outra pessoa, distante de mim... A idéia da postagem veio quando encontrei uma carta antiga nomeio dos livros, onde a primeira citação foi encontrada... Meus olhos então buscaram direto aquela primeira frase que li, como se ela fosse o que eu na verdade precisasse ler... Algo que o Universo quisesse me mostrar... Num primeiro momento senti um choque. Choque puro e simples porque vi ali um intento muito óbvio e muito claro de alguma outra coisa que não era amor, mas sim uma sensação de "demarcação", de possessão... "MINHA namorada", "MEU amor"... Então uma sensação dupla me invadiu: uma primeira de "como foi que eu pude não ver isso?!" naquela época, e outra do mais puro alívio em não mais estar passando por aquela situação e aquela época... Pensei num primeiro momento que aquilo pudesse ser um indício de alguma cena a ser recapitulada. Fechei os olhos, me revi lendo aquela carta, senti novamente todas as inseguranças, os medos, os vícios, a disponibilidade... Com aquelas inseguranças, fazia sentido eu achar aquela frase bonita e romântica. Senti quando fiz a respiração que tive acesso a alguns "fios" energéticos antes inacessíveis a mim... Uma ínfima parte de fios ainda ficou (aprendi a sentir e ver os dios energéticos durante as recapitulações ao longo do tempo). Quando voltei ao 'aqui e agora', reli o trecho da carta, mas minha reação foi a mesma, só que ainda mais nítida era a sensação de alívio e de choque. Procurei vestígios de emotividade, mas não encontrei... Soube então que era uma parte profunda de mim que estava tendo aquela reação. Dizem que após a recapitulação não sentimos mais emoções quando lembramos da cena, porém eu tinha uma sensação de que eu não sentiria ou pensaria nada sobre elas. Estava enganada. Na verdade chego a sentir uma leve ânsia de vômito quando leio a carta. Não sinto nada quando me lembro da cena de lê-la, inclusive agora está até difícil lembrar de que eu havia recebido essa carta... Essa parte confirmou pra mim, mas ainda assim quando me lembro daquela época, e da maneira como me sentia, apesar de não me lembrar as imagens, as palavras e as conversas, consigo me lembrar de como me sentia... Não como alguém nostálgico que usa o passado como uma fuga, mas sim como um animal ferido que já recuperado olha o lugar em que se machucou. Pode ser que ela desapareça completamente quando termine de recapitulá-la até o fim. Tenho respeito por essa época - algo que não tinha antes, tinha apenas repulsa. Respeito-a como parte da formação do que sou hoje, mas que passou. Estou começando também a desenvolver respeito pelas pessoas envolvidas no processo - antes só tinha uma gratidão contrariada rsrs... Mas o mais importante de tudo: olho para aquele tempo, cerca de um ano atrás, com um Intento muito difícil de explicar, mas que passa por uma sensação de uma dura lição que eu precisava aprender para seguir em frente, e uma certeza estranha de que eu não mais passarei por ali. Visualizo-me como uma pessoa no meio de uma subida de uma colina, olhando para trás e vendo um vale cheio de pedras pontiagudas, seco, cinza, duro e cheio de predadores que extende até o horizonte, um lugar em que caminhei sozinha por muitos anos, na esperança de existir algo diferente mesmo com tudo ao meu redor me dizendo que o Universo se resumia àquele lugar inóspito. Ando agora descalça na grama - que não é totalmente verde, mas o suficiente para ser macia - já me tomei um belo banho de cachoeira ali perto, recolhi minhas roupas, deixando o peso desnecessário ali mesmo, e agora sinto um vento úmido e gentil massagear meus cabelos, enquanto olho para aquele lugar cinza sem sentir por ele remorso, tristeza, raiva, ou qualquer outro sentimento fácil de explicar em nossa língua. E apesar de uma parte de mim ainda se mover quando eu olho pra lá tenho uma certeza inexplicável de que olho pela última vez. Respito fundo então, fecho os olhos por um momento, com sensações que as palavras não alcançam para depois dar-lhe as costas respeitosamente e olhar para o caminho ainda por percorrer: montanhas altas e imponentes, que desafiando o azul do céu com pontas de gelo, e agradecer a Terra com verdejantes vales que na Primavera darão flores espetaculares. O Caminho é solitário, a subida é íngreme, difícil, nem carrego suprimentos. Ainda apesar da dificuldade, da solidão e da neve que pode ser que eu tenha a enfrentar, a vista é profundamente bela e inspiradora, há água potável fácil de encontrar, a grama é macia e o vento - pelo menos por hora - é gentil. Dessa vez, estou bem agasalhada e me sinto bem, disposta e bem-alimentada para continuar minha caminhada. Pego então a longa madeira que me serve de cajado que encontrei logo ali, e em silêncio sigo minha caminhada - sem destino definido e muito menos hora pra chegar, mas ainda assim meu impulso de movimento é forte, como um ímã para aquilo que tudo que vive há um dia de encarar...

Intento!

2 comentários:

  1. " Uma pessoa só come morangos pela primeira vez na vida uma ÚNICA vez! Ela pode comer morangos muitas vezes, mas só será UMA vez que ela comerá morangos pela primeira vez! Eu convivi anos com as pessoas tratando morangos como algo rotineiro, só que eu mesmo nunca tinha comido morangos antes! Justamente porque eu estava esperando alguém que nunca tinha comido morangos para que JUNTOS nós tivéssemos essa experiência ÚNICA que nunca iria se repetir mais... Então, não venha me dizer que não faz diferença, porque faz!" - confissão de ex, entre lágrimas, sobre seu trauma de ter perdido a virgindade com idade mais avançada que eu.

    Nossa!! que lindo isso aí!! rsrsrsr...

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  2. "No meu infinito particular

    Em alguns instantes

    Sou pequenina e também gigante..."

    Existe profundidade em todas as coisas, as óbvias são a superfície de um profundo mar.
    Aquelas pessoas que não se arriscam e permanecem nadando pelas superfícies do óbvio,se privarão de conhecer sua própria profundidade, seu próprio infinito particular.
    O seu texto é uma prova de que, assuntos, situações... aparentemente superficiais,dependem do olhar do observador e de sua coragem de penetrar em suas profundezas.
    Grande beijo!

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